O

que nos leva ainda a tocar com uma flauta doce de dedilhado germânico, com tantos indicativos que temos sobre esse equívoco?

Talvez a resposta mais aceitável seja a falta de informações precisas sobre o assunto e antes de começarmos nosso pequeno tutorial de transformação do germânico para o barroco, fica a sugestão de leitura da matéria da professora Patricia Michelini, especialmente escrita aqui para o lab.flauta, que detalha um pouco sobre esse equívoco histórico.

A ideia não é incentivar a compra de uma flauta germânica para fazer a transformação em barroca; o que queremos aqui é, de alguma forma, recuperar algum instrumento que você já possua.

Materiais necessários:

– Uma flauta doce com dedilhado germânico

– Biscuit para artesanato (também conhecido como porcelana fria)

– Cotonetes

– Chaves Philips

– Balões

– Vaselina

– Algo pontiagudo

– Tesoura

– Lixas

– Afinador (pode ser um aplicativo para celular).

 

Este tutorial funciona tanto com flautas de plástico quanto com de madeira.

Passo 1

Inicialmente deve-se verificar a afinação do instrumento (em notas de diferentes alturas), atentando para que o instrumento não esteja alto ou baixo, para não tornar imprecisa a correção das notas fá, fá sustenido e sol (soprano) e si bemol, si e dó (contralto), por exemplo.

Atente-se somente para que muitas flautas têm como padrão o lá em 442 hertz, e não em 440.

Passo 2

Neste momento utilizaremos a chave Philips para abrir o furo número 5 (fazemos a contagem da cabeça para os pés da flauta, onde o “furo do polegar” é o número 0, e seguindo assim os demais de 1 a 7). Não se recomenda abrir o furo 5 do mesmo tamanho que o furo 4, uma vez que isso pode fazer com que a flauta fique com o fá (soprano) ou si bemol (contralto) muito alto já no começo do processo.

O meio mais eficaz é durante o processo de abrir o furo, testar com um afinador as notas fá (soprano) e si bemol (contralto), tanto na primeira quanto na segunda oitava do instrumento. Caso falte pouco para que se chegue ao ponto ideal de afinação, uma lixa pode ser a melhor ferramenta para terminar esta etapa.

Caso o plástico crie rebarbas, pode-se eliminá-las com uma tesoura ou uma lixa de unha. A parte interna do furo também pode ser lixada para ajudar no acabamento, sempre observando para não prejudicar a afinação que já foi feita.

Passo 3

Neste momento temos que fechar o furo 4 para torna-lo menor. A recomendação é que se feche este furo por inteiro e depois vá aos poucos abrindo, fazendo com que o furo fique o mais regular possível.

Antes de fechar o furo com o biscuit, deve-se usar algum material cobrir a parte interna da flauta; um lápis “encapado” com um balão é a maneira mais fácil de fazer isso.

Para evitar que o biscuit cole no balão, pode-se usar um pouco de vaselina, que com o auxílio de um cotonete deve-se passar na parte do balão que fica exposta pelo furo.

Neste momento iremos preencher o furo 4 com o biscuit. Faça isso com calma e sempre usando o lápis com o balão que está dentro da flauta para contrabalancear a força que está sendo aplicada de fora para dentro da flauta, assim pode-se garantir que o furo ficará completamente preenchido. Após o preenchimento e a retirada do balão, pode-se remover o excesso de biscuit, caso exista.

Passo 4

Com um objeto fino e pontiagudo (como uma agulha de crochê, por exemplo) deve-se abrir o furo que acabamos de fechar. Usaremos um pouco de vaselina para evitar que o biscuit cole na ferramenta durante este processo.

Do centro para as bordas deve-se abrir o biscuit, fazendo pequenos movimentos circulares até que se crie um furo. Esse processo irá criar rebarbas/sobras do biscuit, tanto dentro como fora da flauta e a melhor maneira de se obter um furo regular é intercalar essas duas atividades – abertura do furo e retirada de rebarbas.

Uma vez aberto o furo, deve-se ir checando a afinação de notas como fá sustenido, sol e sol sustenido (soprano) e si, dó e dó sustenido (contralto) para saber o máximo que deve ser aberto este furo.

Quando finalizada esta etapa e já com as sobras de biscuit removidas (tanto de dentro como de fora da flauta) deve-se esperar que o material seque por completo (recomenda-se deixar o instrumento num lugar arejado por no mínimo 24 horas) assim será possível fazer o acabamento com uma lixa, caso queira.

Se por acaso o biscuit soltar da flauta, pode-se repetir o procedimento, mas deve-se então lixar a parte interna do furo 4 com uma lixa um pouco mais grossa, fazendo com que material possa ter mais aderência ao plástico da flauta.

Caso o biscuit deforme um pouco, você pode corrigir lixando a região afetada.

Considerações finais:

– O correto é que esse tutorial seja feito por um adulto, não somente pelo uso de materiais cortantes (como tesoura, por exemplo), mas fazer mudanças no instrumento é uma atividade delicada e que deve ser feita com alguma precisão;

– Não é recomendado abrir o furo com uma ferramenta muito afiada (como um estilete) ou até mesmo com uma chave de fenda, pois essas ferramentas podem criar imperfeições se não forem bem manuseadas;

– Caso queira fazer o procedimento com uma furadeira, seja bastante cauteloso;

– No caso de instrumentos escuros, existem biscuit no mercado com cores diferentes;

– A recomendação no uso do biscuit é que ele é um material barato e atóxico e, que se bem mantido, pode durar muito tempo. Outros materiais podem conter muitos elementos tóxicos ou até mesmo serem sensíveis ao dia-a-dia, como é a parafina, por exemplo, que pode derreter com o excesso de calor.

– Seja paciente. Caso queira fazer mais de uma flauta, recomenda-se testar numa flauta primeiro para que se faça a transformação nas demais, inclusive esperando o prazo de 24 horas para que o biscuit esteja seco antes de seguir com as outras flautas.

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